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CDI + Inflação

Nesses tempos de inflação e crise, dou uma dica para além de preservar o poder de compra. Em algum post, disse aqui que, no contexto atual, a melhor aplicação é um bom fundo DI.
Compartilho com vocês um artigo que saiu no Valor Econômico que corrobora isso. Bem, não posso colar o artigo todo aqui por uma questão de direitos autorais, etc. Mas vou resumi-lo.

Na verdade é uma dissertação de mestrado na UFRJ, cujos resultados saíram no Valor. O estudo compreendeu um período de 11 anos. O resultado da pesquisa atende ao investidor pequeno (50 mil para aplicar), conservador e que busca principalmente proteger seu poder de compra. A grande maioria dos brasileiros está nessa situação.
Foram comparadas várias carteiras de investimento. A que deu melhor resultado foi a que aplicou recursos na renda fixa, metade no CDI e metade na inflação.

Segundo o professor orientador da tese, o investidor pode comprar títulos públicos do Tesouro Direto e, no caso do DI, recorrer aos fundos dos bancos ou de plataformas, que costumam oferecer carteira de gestores independentes com taxas de administração mais baixa. 

Se você tem interesse em aplicar, converse com seu gerente, peça explicações de como funcionam os fundos DI de seus bancos e o Tesouro Direito. 

É isso, boa sorte e proteja seu dinheiro!


CDI + inflação, uma estratégia vencedora
Por Alessandra Bellotto
O pequeno investidor brasileiro não precisa se descabelar para montar uma carteira de investimentos. Basta
concentrar seus recursos na renda fixa para alcançar o melhor retorno para o risco corrido. É o que mostra a
dissertação de mestrado de Daniel Dutra Andrino, sob orientação do professor Ricardo Pereira Câmara Leal,
apresentada ao Instituto Coppead de Administração, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O
objetivo do estudo, que compreendeu o período de 11 anos, foi analisar o desempenho de estratégias de alocação
de ativos voltadas ao investidor sem sofisticação e com poucos recursos para aplicar.
Foram avaliadas cinco carteiras compostas por diferentes combinações entre quatro classes de ativos: "dinheiro",
"inflação", "ações brasileiras" e "ações internacionais". Segundo o professor Leal, a seleção levou em conta
características como simplicidade e fácil acesso. Fundos multimercados poderiam constituir uma classe à parte,
ressalva Leal, mas as melhores carteiras, de gestores talentosos, ou estão fechadas ou exigem uma aplicação
mínima alta. Também não foram considerados ativos de baixa liquidez, como imóveis, ou estratégias mais
sofisticadas, entre elas fundos de private equity.
São todas estratégias fáceis de serem replicadas por um investidor
com R$ 50 mil para aplicar foco
do estudo. O professor lembra ainda
que as classes de ativos selecionadas atendem ao perfil da imensa
maioria de investidores brasileiros, que é conservadora.
As carteiras foram montadas levando em conta os diferentes perfis
esperados para um investidor comum e a distribuição equivalente dos
recursos entre os ativos. A primeira dividiu a aplicação entre as
classes dinheiro e ações nacionais e a segunda, entre as classes
dinheiro e ações internacionais, representando, de acordo com Andrino, alternativas que possuem um
componente conservador e outro mais arriscado.
Voltada para o investidor conservador e que busca proteção contra a perda do poder de compra, a carteira 3
dividiu os recursos entre as classes dinheiro e inflação. Já a carteira 4 representa uma alocação mais diversificada,
ao distribuir os recursos entre três classes de ativos: dinheiro, inflação e ações nacionais. Por fim, a quinta carteira
é uma réplica da anterior, porém com ações internacionais no lugar das nacionais.
Entre as cinco carteiras, o maior retorno acumulado no período, com 294,81%, foi registrado pela que aplicou os
recursos na renda fixa, metade no CDI e metade na inflação. Quando se mede a relação risco/retorno, a carteira de
renda fixa também se destacou, com um índice de 1,093 (quanto maior, melhor). O estudo destaca que o retorno
adicional que os outros investimentos eventualmente oferecem parecem ser ofuscados pelo maior risco. "Em
suma, quando o investidor avalia outros produtos financeiros, o custo de oportunidade oferecido pelo CDI pode
tornarse
muito alto. O bom desempenho do IMAB
[índice que mede a evolução dos preços de mercado de uma
carteira teórica de títulos públicos indexados à inflação, as NTNBs]
também reforça o ponto de que, no Brasil, a
renda fixa costuma ser uma opção melhor", conclui Andrino, em sua dissertação.
E provavelmente a carteira de renda fixa seria a opção de boa parte dos brasileiros, reforça Leal. "Colocar metade
no DI e metade na inflação é muito confortável, de fácil implementação", afirma. Segundo o professor, o investidor
pode comprar títulos públicos no Tesouro Direto e, no caso do DI, recorrer aos fundos dos bancos ou de
plataformas, que costumam oferecer carteiras de gestores independentes com taxas de administração mais
baixas.
Aqui vale mais uma ressalva, relativa ao período não muito longo de análise: são 11 anos, entre janeiro de 2004 e
dezembro de 2014. Mas no Brasil, especialmente, ressalta Leal, não tem como ser um prazo muito longo, por
conta de mudanças estruturais pelas quais o país passou. Contudo, a análise incluiu fases distintas para a bolsa,
como o boom até pelo menos 2009, com exceção do ano da crise (2008), e a fase de baixa desde 2010, assim como
um período de juro baixo, que culminou com a mínima histórica de 7,25%, entre outubro de 2012 até abril do ano
seguinte.
Leal chama atenção para o desempenho da carteira que, além de CDI e inflação, tem ações nacionais, com um
retorno acumulado de 245,96%. No curto prazo, admite, a atratividade da renda fixa é muito grande, mas o
mercado de ações, por trazer maior risco, tem potencial de render mais, e deve ser considerado. O fato é que "as
altas taxas reais de juros, uma peculiaridade ou mesmo uma anomalia do mercado brasileiro, distorcem a
comparação com a bolsa". Mas, ressalva o professor, retorno passado não é garantia de ganho no futuro, ou seja,
uma simulação daqui a dez anos pode trazer resultados completamente diferentes, e mais favoráveis para ações.
"Para o investidor que é jovem, tem tempo e se comporta bem com a volatilidade, é razoável apostar no sucesso da
economia brasileira e destinar uma parcela para ações", afirma Leal. Fica apenas o alerta de que o investidor tem
que ter estômago e saber que a trajetória não é nada tranquila.
Para avaliar os diferentes ativos, foram usados indicadores do mercado. Para a classe "dinheiro", que corresponde
a ativos financeiros com baixo risco e alta liquidez, optouse
por considerar 100% do CDI (juro interbancário), já
que essa variação pode ser facilmente alcançada por alguns dos fundos DI do mercado ou mesmo comprando um
título público que acompanha a taxa Selic no Tesouro Direto. Para representar ativos indexados à inflação, foi
considerado o IMAB.
O índice é usado como referencial de boa parte dos fundos de inflação brasileiros, assim
como as NTNBs
também podem ser adquiridas no Tesouro Direto.
O desempenho das ações foi medido por meio dos índices Bovespa no caso do mercado local e S&P 500, da bolsa
americana, para a parcela internacional, já que não se espera, segundo Andrino, que o pequeno investidor tenha
conhecimento para fazer escolhas específicas de papéis. A exposição em Ibovespa, segundo sugere o estudo, pode
ser feita via uma carteira de ações que adote o referencial ou por meio de um Exchange Traded Fund (ETF), fundo
com cotas negociadas em bolsa. Para a classe de ações internacionais, a opção mais simples, aponta o
pesquisador, seria por meio de um fundo que aplique a maior parte dos recursos fora, já que o ETF disponível é
restrito a investidores qualificados, com mais de R$ 1 milhão para investir. Os retornos em dólares do S&P 500
foram convertidos para reais.
CDI + inflação, uma estratégia vencedora
Por Alessandra Bellotto
O pequeno investidor brasileiro não precisa se descabelar para montar uma carteira de investimentos. Basta
concentrar seus recursos na renda fixa para alcançar o melhor retorno para o risco corrido. É o que mostra a
dissertação de mestrado de Daniel Dutra Andrino, sob orientação do professor Ricardo Pereira Câmara Leal,
apresentada ao Instituto Coppead de Administração, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O
objetivo do estudo, que compreendeu o período de 11 anos, foi analisar o desempenho de estratégias de alocação
de ativos voltadas ao investidor sem sofisticação e com poucos recursos para aplicar.
Foram avaliadas cinco carteiras compostas por diferentes combinações entre quatro classes de ativos: "dinheiro",
"inflação", "ações brasileiras" e "ações internacionais". Segundo o professor Leal, a seleção levou em conta
características como simplicidade e fácil acesso. Fundos multimercados poderiam constituir uma classe à parte,
ressalva Leal, mas as melhores carteiras, de gestores talentosos, ou estão fechadas ou exigem uma aplicação
mínima alta. Também não foram considerados ativos de baixa liquidez, como imóveis, ou estratégias mais
sofisticadas, entre elas fundos de private equity.
São todas estratégias fáceis de serem replicadas por um investidor
com R$ 50 mil para aplicar foco
do estudo. O professor lembra ainda
que as classes de ativos selecionadas atendem ao perfil da imensa
maioria de investidores brasileiros, que é conservadora.
As carteiras foram montadas levando em conta os diferentes perfis
esperados para um investidor comum e a distribuição equivalente dos
recursos entre os ativos. A primeira dividiu a aplicação entre as
classes dinheiro e ações nacionais e a segunda, entre as classes
dinheiro e ações internacionais, representando, de acordo com Andrino, alternativas que possuem um
componente conservador e outro mais arriscado.
Voltada para o investidor conservador e que busca proteção contra a perda do poder de compra, a carteira 3
dividiu os recursos entre as classes dinheiro e inflação. Já a carteira 4 representa uma alocação mais diversificada,
ao distribuir os recursos entre três classes de ativos: dinheiro, inflação e ações nacionais. Por fim, a quinta carteira
é uma réplica da anterior, porém com ações internacionais no lugar das nacionais.
Entre as cinco carteiras, o maior retorno acumulado no período, com 294,81%, foi registrado pela que aplicou os
recursos na renda fixa, metade no CDI e metade na inflação. Quando se mede a relação risco/retorno, a carteira de
renda fixa também se destacou, com um índice de 1,093 (quanto maior, melhor). O estudo destaca que o retorno
adicional que os outros investimentos eventualmente oferecem parecem ser ofuscados pelo maior risco. "Em
suma, quando o investidor avalia outros produtos financeiros, o custo de oportunidade oferecido pelo CDI pode
tornarse
muito alto. O bom desempenho do IMAB
[índice que mede a evolução dos preços de mercado de uma
carteira teórica de títulos públicos indexados à inflação, as NTNBs]
também reforça o ponto de que, no Brasil, a
renda fixa costuma ser uma opção melhor", conclui Andrino, em sua dissertação.
E provavelmente a carteira de renda fixa seria a opção de boa parte dos brasileiros, reforça Leal. "Colocar metade
no DI e metade na inflação é muito confortável, de fácil implementação", afirma. Segundo o professor, o investidor
pode comprar títulos públicos no Tesouro Direto e, no caso do DI, recorrer aos fundos dos bancos ou de
plataformas, que costumam oferecer carteiras de gestores independentes com taxas de administração mais
baixas.
Aqui vale mais uma ressalva, relativa ao período não muito longo de análise: são 11 anos, entre janeiro de 2004 e
dezembro de 2014. Mas no Brasil, especialmente, ressalta Leal, não tem como ser um prazo muito longo, por
conta de mudanças estruturais pelas quais o país passou. Contudo, a análise incluiu fases distintas para a bolsa,
como o boom até pelo menos 2009, com exceção do ano da crise (2008), e a fase de baixa desde 2010, assim como
um período de juro baixo, que culminou com a mínima histórica de 7,25%, entre outubro de 2012 até abril do ano
seguinte.
Leal chama atenção para o desempenho da carteira que, além de CDI e inflação, tem ações nacionais, com um
retorno acumulado de 245,96%. No curto prazo, admite, a atratividade da renda fixa é muito grande, mas o
mercado de ações, por trazer maior risco, tem potencial de render mais, e deve ser considerado. O fato é que "as
altas taxas reais de juros, uma peculiaridade ou mesmo uma anomalia do mercado brasileiro, distorcem a
comparação com a bolsa". Mas, ressalva o professor, retorno passado não é garantia de ganho no futuro, ou seja,
uma simulação daqui a dez anos pode trazer resultados completamente diferentes, e mais favoráveis para ações.
"Para o investidor que é jovem, tem tempo e se comporta bem com a volatilidade, é razoável apostar no sucesso da
economia brasileira e destinar uma parcela para ações", afirma Leal. Fica apenas o alerta de que o investidor tem
que ter estômago e saber que a trajetória não é nada tranquila.
Para avaliar os diferentes ativos, foram usados indicadores do mercado. Para a classe "dinheiro", que corresponde
a ativos financeiros com baixo risco e alta liquidez, optouse
por considerar 100% do CDI (juro interbancário), já
que essa variação pode ser facilmente alcançada por alguns dos fundos DI do mercado ou mesmo comprando um
título público que acompanha a taxa Selic no Tesouro Direto. Para representar ativos indexados à inflação, foi
considerado o IMAB.
O índice é usado como referencial de boa parte dos fundos de inflação brasileiros, assim
como as NTNBs
também podem ser adquiridas no Tesouro Direto.
O desempenho das ações foi medido por meio dos índices Bovespa no caso do mercado local e S&P 500, da bolsa
americana, para a parcela internacional, já que não se espera, segundo Andrino, que o pequeno investidor tenha
conhecimento para fazer escolhas específicas de papéis. A exposição em Ibovespa, segundo sugere o estudo, pode
ser feita via uma carteira de ações que adote o referencial ou por meio de um Exchange Traded Fund (ETF), fundo
com cotas negociadas em bolsa. Para a classe de ações internacionais, a opção mais simples, aponta o
pesquisador, seria por meio de um fundo que aplique a maior parte dos recursos fora, já que o ETF disponível é
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