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Mostrando postagens de 2016

Mais um entre tantos

Quando você cresce e começa a se preocupar demais, fica cheio de amarras. Há quem diga que essas amarras são as responsabilidades que a vida madura trás. Eu digo, nem todas. Algumas (muitas na verdade) são preocupações toscas que temos, conseqüência de nossa insegurança para sermos aceito no meio em que vivemos. Queremos ser iguais aos nossos iguais. Quase sempre isso não é percebido. Achamos muitas vezes que somos totalmente livres e fazemos nossas escolhas de acordo com nosso total livre arbítrio. Ledo engano. Estamos tão enroscados nas amarras desnecessárias, que nem percebemos que vamos na mesma direção da manada. Esse comportamento psicológico vem cada vez mais merecendo atenção de economistas de renome. Embora seja ainda assunto não muito explorado nos principais meios acadêmicos, ao menos nos brasileiros. De vez em quando a consciência nos chama a reflexão: Será que estamos agindo de acordo com nós mesmos? Eu queria mesmo estar aqui? Eu quero isso? Ou estou agindo como esp...

CONFIANÇA: do comportamento à matemática.

O primeiro passo para o país voltar a crescer será a retomada da CONFIANÇA. O quê já está acontecendo. A confiança é como um termômetro que mede o nível de disposição dos agentes econômicos de apresentarem comportamento positivo. Com a melhora da confiança, o consumidor compra mais, o empresário investe mais e o industrial produz mais. Mas confiança em quê? Confiança que as coisas vão melhorar. É como um gatilho. Neste momento, estamos vivendo algo parecido. Embora o Brasil ainda esteja em recessão, esta já dá sinais de arrefecimento. Por quê? Porque os agentes econômicos de um modo geral, acham que a saída da Presidente afastada Dilma Roussef pode ser um início de uma melhora no panorama geral. Muitos acham que o novo governo será capaz de implementar medidas econômicas que a Presidente afastada não conseguiu, portanto já pensam que o quadro vai melhorar. Já falei aqui sobre expectativas e como os agentes a antecipam. Pois bem, é como um processo de trabalho. Aumentando a conf...

"Tenho visto na TV que a economia está dando sinais de melhora, mas como pode isso se o desemprego ainda aumenta?"

Aí você pergunta: "Tenho visto na TV que a economia está dando sinais de melhora, mas como pode isso se o desemprego ainda aumenta?" O desemprego hoje é o maior desde que o IBGE começou a realizar a PNAD em 2012. Estamos como 11,3% e mais de 11 milhões de brasileiros desempregados. O que acontece é o seguinte: O empresário demora a demitir durante a crise, mas também demora a contratar. É muito custoso fazer as duas coisas. Na hora de demitir, ele pensa duas vezes, porque o empregado foi treinado, já possui experiência, vai receber rescisão e etc. Na hora de contratar, o empresário precisa ter a certeza de que as coisas vão melhorar, ele precisa ter confiança nisso. Porque ele vai gastar treinando o empregado, contratando uma empresa (ou mais funcionários em seu departamento) de RH pra realizar as contratações, além de aumentar o custo via salário do empregado. Ou seja, contratar em si gera custo, fora o custo do próprio salário que o empregado irá receber ...

Ajuste suas contas

Aproveite o momento de crise e faça o mesmo que o Governo Federal está tentado: Ajuste suas contas! 1º passo - Coloque na ponta do lápis todas as suas contas fixas e que você não pode, a priori, cortar. Ex: Aluguel, comida, escola, curso, transporte, etc. Faça isso para vários meses, projete para frente ao menos 3 meses. Isso é útil porque algumas dessas contas podem ter sazonalidade, elas podem diminuir ou aumentar dependendo do mês. O ideal é que ao menos essas contas fiquem abaixo do que você ganha. 2º passo - se sobrar algum depois das contas acima, veja que gastos você tem a mais. Ex: gastos com fim de semana, cerveja, refeições fora de casa, cosméticos caros, cinema, etc. Essas são as contas que você deve cortar caso elas estejam fazendo você se endividar. Sei que é duro, mas tem que cortar. 3º passo - Não use cartão de crédito nem cheque especial para se endividar, eles tem os maiores juros da galáxia! É um absurdo, um verdadeiro assalto. Eu sei que você tem o hábito de ac...

Nada é Linear - entenda e tire proveito

As coisas nunca andam da mesma forma o tempo todo. Tudo tem seus altos e baixos, para o mal ou para o bem. Procure enxergar oportunidades. O que podemos tirar de bom dessa crise financeira?´Muitas coisas, mas focarei em um tema. Certamente sairemos mais fortalecidos disso tudo. Nesse momento em que estamos vivendo com menos do que estávamos acostumados, as coisas ficarão mais que melhores quando a carestia passar. Explico. Faço um paralelo com a crise da água que passamos, principalmente nós aqui da cidade de Sampa. No fim de 2014 ficamos com a possibilidade real de não termos água. O nível dos reservatórios chegou a 5%, em um período que diminuía 0,5% por dia. Cada um fez o que estava a seu alcance para economizar esse bem que sempre achamos ser eterno. Nossa relação com a água mudou a partir de então. Somos mais felizes por ter água hoje do que éramos quando tínhamos antes da crise (da água). Simplesmente o valor (não falo de preço) da água que sai de nossas torneiras fico...

A Economia e o Tempo

Veja você que só agora a inflação dá mostras de queda mesmo após quase dois anos de crise e consumo em queda. Somente agora a queda expressiva na demanda está se refletindo na queda nos preços, ou melhor, a desaceleração em seu aumento, o que de todo modo é bom. Pois bem, as coisas em Economia não funcionam da noite pro dia, como sonham alguns governos de plantão. A medida que é tomada hoje, em geral se refletirá daqui a algum tempo, quase nunca imediatamente. É preciso se acostumar com isso, é preciso entender que à vezes temos que sacrificar o presente pensando no futuro. Um plano econômico duro hoje, por exemplo, pode livrar a sociedade de uma coisa bem pior lá na frente. Isso, admito, é difícil de aceitar, porque as pessoas querem o bem estar agora. Eu sou totalmente a favor de um ajuste fiscal. Esse sacrifício hoje terá seus frutos colhidos no futuro, e serão frutos saudáveis. Se isso não for feito, em minha opinião, os frutos futuros estarão podres, bem mais podres do qu...

CDI + Inflação

Nesses tempos de inflação e crise, dou uma dica para além de preservar o poder de compra. Em algum post, disse aqui que, no contexto atual, a melhor aplicação é um bom fundo DI. Compartilho com vocês um artigo que saiu no Valor Econômico que corrobora isso. Bem, não posso colar o artigo todo aqui por uma questão de direitos autorais, etc. Mas vou resumi-lo. Na verdade é uma dissertação de mestrado na UFRJ, cujos resultados saíram no Valor. O estudo compreendeu um período de 11 anos. O resultado da pesquisa atende ao investidor pequeno (50 mil para aplicar), conservador e que busca principalmente proteger seu poder de compra. A grande maioria dos brasileiros está nessa situação. Foram comparadas várias carteiras de investimento. A que deu melhor resultado foi a que aplicou recursos na renda fixa, metade no CDI e metade na inflação. Segundo o professor orientador da tese, o investidor pode comprar títulos públicos do Tesouro Direto e, no caso do DI, recorrer aos fundos dos b...

Aprofundar as ações que nos levaram ao caos será a última pá de cal.

Há quem defenda que devamos aprofundar as ações que nos levaram a esse abismo econômico, tais como, baixar juros na marra, aumentar gastos do governo, facilitar crédito e outras medidas mais erradas do que ineficazes. Parece que essas pessoas estão míopes, ou estão pensando em um horizonte de tempo "ali na esquina".  Não se deixem enganar, não há caminho fácil agora pra se trilhar, não há jeito rápido de sairmos dessa situação que nos enfiamos. E acreditem, pode piorar muito ainda antes de melhorar.

A invasão de Hermanos

Passei uma semana em Floripa esse janeiro de 2016 e não pude deixar de notar a invasão de hermanos na Ilha da Magia. Era raro encontrar algum brasileiro no hotel em que fiquei em Jurerê, o espanhol era a língua mais falada nas praias, bares e restaurantes ao redor. E eles vem em grande parte de carro. Nas ruas havia muitos carros argentinos, arrisco dizer que se não estivessem lá não teria sofrido com os engarrafamentos. Dei uma olhada na taxa de câmbio entre o peso argentino e o real e não me causou surpresa a desvalorização do real frente ao peso argentino. Todos sabem que estamos em um momento de descida de ladeira e a Argentina, não obstante todas as cagadas anteriores (que não vem ao caso no momento) estão em um momento de subida, com a eleição e recentes medidas tomadas pelo Presidente Maurício Macri. Convém esse governo Dilma dá uma olhadinha para a terra do Messi. Alguma coisa de bom eles estão fazendo. O gráfico mostra a desvalorização ao longo do tempo que temos so...

Uma análise sobre a cerveja

Essa postagem é um pouco mais rebuscada para quem não tem intimidade com econometria e técnicas estatísticas, mas resolvi postar assim mesmo porque na verdade apenas corrobora o que todo bebedor de cerveja já sabe...HAhUhaUhAU! Quando o preço aumenta, a quantidade comprada diminui, quando está calor se vende mais da loira gelada e quando o Cabrone recebe aumento salarial ele corre pra bebemorar! Aqui vai o estudo completo. São Paulo, 3 de fevereiro de 2016 O presente trabalho procura medir a interferência de algumas variáveis no volume de cerveja vendido no Brasil, quais sejam: Preço, renda real do trabalhador e temperatura. A teoria indica que variações nessas três variáveis influenciam diretamente a venda da bebida. O objetivo deste trabalho é observar em que medida isso acontece e se realmente acontece. Para esse artigo, foram coletadas informações de volume de cerveja vendida no Brasil, preço da cerveja, a renda nacional representada pelo rendimento do trabalhador e dad...